Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

28.4.14

PROFESSOR AURINO DE OLIVEIRA CARDOSO. UMA HOMENAGEM.

Por
Jean Kleber Mattos

Faleceu há mais ou menos dez dias, o engenheiro agrônomo, professor aposentado da UnB, Aurino de Oliveira Cardoso.

Quando cheguei à Brasília em 1968 em busca de emprego, trazia da Bahia uma recomendação de meu colega, também agrônomo, Sergio Nobre de Andrade, para procurar o colega Aurino de Oliveira Cardoso, que trabalhava na Universidade de Brasília (UnB). De fato, Aurino deixara a UnB e trabalhava então na Fundação Zoobotânica do Distrito Federal, onde vim a trabalhar, tendo-o portanto como colega. Alegre, comunicativo, sem maldade, via-o como uma pessoa iluminada. 

Pesquisador, trabalhava com zootecnia especialmente com agrostologia, onde demonstrava seus fartos conhecimentos de botânica. Montou ensaios de campo da Fazenda do Tamanduá, da Fundação, hoje Embrapa Hortaliças. Morou na Granja do Torto, na vila dos técnicos da Fundação, até que, ao final dos anos 1970, reingressou na UnB como professor, a convite do professor Roberto Meirelles de Miranda, a quem cabia revitalizar o curso de Engenharia Agronômica. 

Passou a morar na Colina da UnB e a conduzir seus trabalhos de pesquisa na Fazenda Experimental Água Limpa, da UnB

Tínhamos uma excelente sintonia. Ele tinha um bom conceito a meu respeito, o que muito me gratificava. Certa vez ele me disse: "você é o melhor agrônomo da Fundação" (na verdade era isso o que eu pensava dele). Diante de minha expressão de surpresa completou: "não apenas o melhor agrônomo...também a melhor pessoa". Um fato desses é inesquecível e um reforço monumental para a auto-estima de qualquer pessoa. 

Mas Aurino era assim. Extremamente generoso e bem humorado. Pessoas assim a gente jamais pensa em perder.   

Na fotografia, professor Aurino esta à esquerda de quem vê a foto.

27.4.14

ARYON DALL´IGNA RODRIGUES, UMA HOMENAGEM



Por
Jean Kleber Mattos

Eu o via de vez em quando nos corredores da UnB e às vezes em alguma solenidade. Poucas vezes conversei com ele. Assuntos corriqueiros, nada de sua especialidade. Para mim, um ser iluminado não importando o extenso currículo acadêmico. Transmitia paz  e serenidade, sempre com um leve sorriso no rosto.
O professor Aryon Dall'Igna Rodrigues nasceu em Curitiba, a 4 de julho de 1925 e faleceu recentemente em Brasília, a 24 de abril de 2014 com 88 anos. Era graduado em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Paraná (1950) e doutorado em Linguística pela Universitat Hamburg (1959). Ensinou e e pesquisou no Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília, sem ônus para esta, da qual será sempre Professor Emérito e Doutor Honoris Causa. Também Professor Honoris Causa da Universidade Federal do Paraná e Membro Honorário da Linguistic Society of America (LSA) e da Society for the Study of the Indigenous Languages of the Americas (SSILA). 
Foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). Experiência na área de Linguística, com ênfase em Línguas Indígenas, atuando principalmente nas áreas de línguas indígenas, fonologia, morfologia, sintaxe e linguística histórico-comparativa. Também presidente honorário do Instituto Aryon Dall'Igna Rodrigues (IADR). 
Professor Aryon  publicou mais de 150 trabalhos científicos, entre artigos, capítulos de livros e livros. Deixa um legado precioso. 

Sinto-me honrado de tê-lo conhecido pessoalmente e de, mesmo que por poucas vezes ter com ele conversado beneficiando-me de sua aura especial.


Crédito da Foto: UnB-Agência

25.4.14

ENTRE COBRAS E POMBAS


Por

Dalinha Catunda

*
A vida tem altos e baixos 
Tem curvas e tem manobras
Existe a pomba da paz
Mas também existem cobras
Desde o tempo de Adão
Perdura a situação
Deus sentiu em suas obras.
*
Sempre existe um Deus de paz
Outro para combater
A vida é feita de lutas
Sempre ouvi alguém dizer 
A batalha é permanente
Por isso não me apoquente
Não penso em esmorecer.
*
Vou fazendo poesia
Porque tenho munição
E na boca do fuzil
Ponho a flor da salvação
Faço rima, faço verso,
Navego neste universo
Que é composto de oração.
*
Foto e versos de Dalinha Catunda



Maria de Lourdes Aragão Catunda – Poetisa, Escritora e Cordelista. Nascida e criada em Ipueiras-CE, conhecida popularmente como Dalinha Catunda, vive atualmente no Rio de Janeiro. Publica nos jornais "Diário do Nordeste" e "O Povo", nas revistas "Cidade Universidade" e "Municípios" e nos blogs: Primeira Coluna, Ipueiras e Ethos-Paidéia. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É co-gestora convidada do blog Suaveolens, além de ter blog próprio: (cantinhodadalinha.blogspot).

23.4.14

Adeus Bernardo

Por
Bérgson Frota

A distância física é insignificante, a espiritual presente e dignificante, irmão.
Não recebestes de quem devia o amor que tanto ansiavas, de quem tanto carecias e procuravas. Mas por muitos foi amado, e soubestes tocar com o teu sofrimento a vários corações.
Deixa nas mãos de Deus a colheita funesta que já começou a cercar de forma triste e certeira a vida de teus algozes.
Volta rápido à pátria espiritual.

Se cá não encontrastes o amor que desejavas, não será Deus, teu Pai, que haverá de negar-te.

 ***

 Crédito da foto: www.correio24horas.com.br


Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual. 

21.4.14

ONTEM DE TARDE



Por
Felipe de moraes
(Gonçalo Felipe)

PESSOA NENHUMA AGUENTA
CHAMAR POR QUEM NÃO RESPONDE
NÃO SEI PORQUE SE ESCONDE
E COM MEDO SE APRESENTA.
A SAUDADE LHE REPRESENTA
NESTA TARDE DE SOLIDÃO
QUE EM FORMA DE DRAGÃO
COME UM SENTIMENTO NOBRE
QUE SOFRE, MAS NÃO DESCOBRE
O QUE TEM NO SEU CORAÇÃO.

PENSO NA IMAGEM SUA
CAMINHANDO A LENTOS PASSOS
ME IMAGINO EM SEUS BRAÇOS
NUMA CLARA NOITE DE LUA
ATRAENTE E SEMINUA
LINDA FLOR DO MEU JARDIM
NESTA SOLIDÃO SEM FIM
IMAGINO QUASE DANDO GRITOS
OS SEUS CABELOS BONITOS
CAINDO EM CIMA DE MIM.

HUMILDEMENTE E FRUSTRADO
CHAMEI O SEU NOME ONTEM A TARDE
CHORANDO IGUAL A UM COVARDE
QUE AMA SEM SER AMADO
OLHANDO O CÉU AZULADO
AOS POUCOS SE TRANSFORMANDO
A NOITE SE APROXIMANDO
E MAIS UM DIA SE ENCERRA
VAI FICANDO ESCURA A TERRA
E EU SÓ, EM VOCÊ PENSANDO.

EM RELAMPEJO EU ME VIA
NA MONOTONIA VÁLIDA
POIS, BEIJAVA A FACE PÁLIDA
DA SUA FOTOGRAFIA
ASSIM ENTRE A NOITE E O DIA
EU RECORDAVA O MEU BEM
PORQUE QUANDO A TARDE VEM
É A HORA MAIS AFLITA,
MAIS NEGRA E MAIS ESQUISITA
PARA QUEM RECORDA DE ALGUÉM.

A TARDE PARA QUEM GOSTA
COMO EU, DE VER O SEU VULTO
LHE MANDO ESSE RECADO OCULTO
SEM ESPERAR POR RESPOSTA
POR DENTRO A SAUDADE TOSTA
POR FORA A SAUDADE DIZ:
NINGUÉM QUER SER UM JUIZ
NESSA TREMENDA DISTANCIA
ENTÃO EU FICO PELA ÂNSIA
MARTIRIZADO E INFELIZ .

O PODER DO AMOR AUSENTE,
O BEIJO DE QUEM NÃO VEIO
O DESENCONTRO QUE CREIO
QUE SÓ QUEM AMA É QUEM SENTE
A CHAMA DESTE AMOR LATENTE
QUE QUEIMA SEM PIEDADE
É ESSA SUA CRUELDADE
QUE MATA SEM AMEAÇA
QUE SÓ CONHECE QUEM PASSA
UMA TARDE DE SAUDADE.
*

Foto: Céu de Brasília (Jean Kleber)





Gonçalo Felipe (Felipe de Moraes) é o prestigiado poeta de Nova Russas que nos brinda com poesias sobre nós, sobre Ipueiras, sobre nosso pé de serra, enfim sobre a vida de todos nós.

FARTURA NO CEARÁ



Por
Dalinha Catunda
 *

Fartura terá
A Semana Santa
Tudo isso me encanta
No meu Ceará
A chuva por lá
Caiu com vontade
Pra felicidade
De quem fez roçado
No chão cultivado
Há prosperidade.
*
No sertão florido
De chuva encharcado
Comi milho assado
E milho cozido
Jerimum colhido
Nas ramas do chão
Maxixe e feijão
Na roça apanhei
Quando visitei
Meu velho sertão.
*

Versos e fotos de Dalinha Catunda


Maria de Lourdes Aragão Catunda – Poetisa, Escritora e Cordelista. Nascida e criada em Ipueiras-CE, conhecida popularmente como Dalinha Catunda, vive atualmente no Rio de Janeiro. Publica nos jornais "Diário do Nordeste" e "O Povo", nas revistas "Cidade Universidade" e "Municípios" e nos blogs: Primeira Coluna, Ipueiras e Ethos-Paidéia. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É co-gestora convidada do blog Suaveolens, além de ter blog próprio: (cantinhodadalinha.blogspot).


14.4.14

CONTOS DE ANTÔNIO LUCIANO BONFIM

                            
                                             O Inexistente

Passava por entre as pessoas como um vulto. Viam algo por um instante ... Depois mais nada. O vulto em questão tinha duas pernas, dois braços e uma cabeça. Era humano. Vestia-se de forma casual, alguém comum, mas tinha uma estranha peculiaridade, ninguém se lembrava da sua existência.
Era um eterno passante de primeira vista, estando por todos os lugares sem deixar a mais vaga lembrança. Ele nunca soube como isso começou, mas deixou de se importar depois de um longo tempo.
Um dia, começou a esquecer do seu rosto, da sua voz, dos seus cacoetes... Indo desaparecer pouco a pouco. Não sentia que estava morrendo, era algo muito pior, estava sendo apagado do papel pela borracha.

                                          A Quinta Tentativa

Os olhos viam e iam  ao pisca-pisca do faróis. Uma noite densa de chuva o evocava dos seus sonhos etílicos perdidos em terras estranhas no seu calhambeque. A sua longevidade era um porre do qual ele queria se livrar há muito tempo, a ausência da dor o agonizava e a solidão o desumanizava a cada século, testemunhando maravilhas e horrores de novas humanidades.
Estava cansado de ver ... De ouvir ... A fada verde fazia-o esquecer da Árvore do Mundo que ele abandonara há tempos esquecidos, desde que solvera a seiva ... “Nós estamos certos ! Vocês estão errados ! O brado que ribombava em sua mente na boca dos tacanhos homens formigas.
Tenta alcançar a garrafa, pegando desajeitadamente, e a joga fora e acelera abruptamente. A atenção desaparecia, havia apenas os olhos fixados na curva do abismo. Capotaria floresta adentro até explodir como previa. O carro se lança no ar ... Essa era a quinta tentativa neste século.
            
                                        O Som Ausente

O céu encontrava-se em uma densa escuridão que engolia o brilho das estrelas, o som crepitante da madeira queimada predominava na floresta em seu silêncio de luto. Em um entulho de cinzas e de galhos retorcidos, emerge o peba, com os olhinhos arregalados diante do fim, caminhando no meio da desolação, sem saber se era dia ou se era noite, à procura de água.
Onde havia água só existia uma lama negra e espessa como éter. Em passos curtos, o peba percorria o vale ausente, vê, ao longe, ossos de temíveis predadores de outro tempo que não pareciam existir, as regras,  daquele mundo, foram apagadas em um clarão. Farejava, tremendo o focinho, os ossos descarnados, mordiscando pedaços cremados.
A terra perdera as suas emoções, só no peba residia o instinto de viver. Percorria seus passinhos sobre colossos caídos, passando por entre seres de metal retorcido, sem rumo na vastidão do vazio. O pequeno animal tremia pela ausência de tudo, nunca ouvira tão terrível silêncio ...

*********

Publicados na coluna Ler do jornal “Diário do Nordeste” em 13/04/2014, e enviados por Bérgson Frota.

Sobre o autor : Antônio Luciano Bonfim é ipueirense há muito radicado em Fortaleza, dedica-se à ficção, à poesia e ao ensaio sobre a arte literária. 


                            Imagem : gimulek.blogspot.com.br

7.4.14

O pôr do sol em Marte

 Por                                    
 Bérgson Frota

O pôr do sol em Marte é avermelhado, triste, silencioso e sem vida, mas belo.
A imagem nos faz lembrar o quanto tudo lá para nós faltaria, e o quanto aqui na Terra, em abundância temos, sem valorizar.
Mas voltando ao pôr do sol em Marte, questiono, um dia sem som, sem um riso e até mesmo sem um choro.
Sem preocupações, esperanças, sonhos. Sem felicidade, só a beleza a saciar com a imagem os nossos olhos, só a eles banquetear.
Penso na despedida de quem amamos, dos que só conhecidos, mas que se foram. Eles pelo menos riram, choraram, tiveram sonhos e se não os concretizaram, mesmo assim os puderam ter e nutrir diariamente com esperança, e no pôr do sol dizer,--- Amanhã quem sabe eu alcanço.
O pôr do sol em Marte é de uma beleza fascinante. Sacia-nos a imagem, torno a repetir a cansar.
Nos faz pensar em tanta beleza, que cá na Terra não notamos. E lá não podemos apreciar, aqui está todos os dias, no fim da tarde, boca da noite a nos esperar.
O sol se põe em Marte, belo e distante, indiferente pra noutro dia voltar.
O sol se põe na Terra, belo, também distante, mas como um símbolo radiante de vida, espetáculo para sete bilhões de habitantes, a renovar promessas, alentar o viver, fazer criar e crescer a mágica dádiva da vida.  

Crédito da foto : Agencia Espacial Americana (NASA)

                                                     

Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.       

5.4.14

No alto há setenta anos o Velho Monge

                    
Por
Bérgson Frota

Já se falou e continua-se a falar muito daquela estátua, branca de braços abertos e base cinza, lá, no cimo do morro mais próximo à Ipueiras.   
Costa Matos, célebre poeta e escritor já partido, membro da Academia Cearense de Letras e filho da terra, foi o único que num poema de rara beleza chamou-o de Velho Monge, a prestar na humildade do termo sua devoção.
Uma obra resistente ao tempo, construída e concluída em 1943, quase dez anos após a feitura da colossal estátua no Corcovado do Rio.
Ano passado completou setenta anos da feitura da obra, neste  setenta e um.
Vidas se passaram, habitantes partiram, outros mudaram pra outras paragens e finalmente os que ainda estão a contemplá-lo, reverenciando-o como um ícone santo a abençoar à terra.
E lá em cima como outro poeta da terra, Jeremias Catunda,também se ido disse num poema a continuar : de braços abertos o Cristo abençoa a minha terra.
À noite vê-se o vulto longe iluminado, quase a flutuar no espaço, mas não, seus degraus não tão definidos nos dão tal impressão.
Este tão afamado monumento já foi carimbo de selo, quando do  centenário da cidade, em 1983.
Embora tardia esta louvação aos seus setenta anos, vale a pena fazê-lo.
Uma louvação de apreço, admiração e zelo, a este santuário cristão que só enriquece a fé católica ipueirense.

               Foto trabalhada digitalmente pertencente ao blog :
                       paulocomunicacaovisual.blogspot.com


Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.