Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

26.5.12

AS VÍTIMAS DA SÊCA

POR
GONÇALO FELIPE


QUANDO O INVERNO NÃO VEM
NOSSA SAÚDE NÃO POUPA
FALTA O FEIJÃO PARA A SÔPA
E MILHO PARA O XERÉM
NÃO SE ESCUTA O VEM-VÉM
NO FINAL DOS MADRIGAIS
NAO TEM ÁGUA NOS CANAIS
NEM MANDIOCA PRÁ GOMA
NÃO HÁ QUEM SAIBA DA SOMA
DAS VÍTIMAS QUE A SÊCA FAZ.

SEM CHUVA,NO MEU SERTÃO
A FOME VEM PRÁ BATALHA
O ROCEIRO QUE TRABALHA
SE OBRIGA À PEDIR UM PÃO
HONESTO VIRA LADRÃO
SE COMPARA À MARGINAIS
QUANDO ARRANJA DEZ REAIS
O BODEGUEIRO LHE TOMA
NÃO HÁ QUEM SAIBA DA SOMA
DAS VÍTIMAS QUE A SÊCA FAZ.

É TRISTE VER MEU SERTÃO
COBERTO PELA POEIRA
UM PAI POBRE ANDAR NA FEIRA
COM UM SACO VAZIO NA MÃO
PRECISA DE ÁGUA E PÃO
E TAMBÉM DE CEREAIS
E COMO MUITOS ANIMAIS
MORREM DE SÊDE E DE FOME
NÃO HÁ MAIS NINGUÉM QUE SOME
AS VÍTIMAS QUE A SÊCA FAZ

É MAIS UM ERRO QUE VEJO
COMO DISSE A UM CAMARADA
NÃO HÁ QUEM INVISTA NADA
PROTEGENDO O SERTANEJO
QUE NÃO TEM LEITE PRÁ QUEIJO
NEM RAÇÃO PARA OS ANIMAIS
MAS GASTAM MILHÕES DE REAIS
TRAZENDO O PAPA DE ROMA.
NÃO HÁ QUEM SAIBA DA SOMA
DAS VÍTIMAS QUE A SÊCA FAZ.

ESTAR SÊCO O MEU SERTÃO
FALTA ÁGUA ATÉ EM GRUTA
AQUI NÃO MAIS SE ESCUTA
A PANCADA DO TROVÃO
OS FILHOS SEM TER UM PÃO
CHORAM PEDINDO-O AOS PAIS.
TÁ FALTANDO CEREAIS
SE O PAI PODER ROUBA OU TOMA
NÃO HÁ QUEM SAIBA DA SOMA 
DAS VÍTIMAS QUE A SÊCA FAZ.

NINGUÉM FAZ UMA DIVISÃO
NÃO SE TEM PARA ONDE IR
E QUEM PODE NOS ACUDIR
NÃO FAZ NEM UM CACIMBÃO
QUANTO MAIS A TRANSPOSIÇÃO,
NEM FALAM MAIS OS JORNAIS
OS RICOS JOGAM EM QUINTAIS
E OS POBRES NÃO TÊM O QUE COMA
NÃO HÁ QUEM FAÇA A SOMA
DAS VÍTIMAS QUE A SÊCA FAZ.

POLÍTICO EM APARTAMENTO
TEM UM VIVER ABASTADO
MAS O POBRE DO ROÇADO
TEM CALOS POR DOCUMENTOS
NADA TEM POR ALIMENTOS.
OU SE TEM, É SEM SAIS
EM BRASÍLIA OS FEDERAIS
SE FAZ A CONTA, NÃO SOMA
POIS, NÃO SE FAZ ESSA SOMA
DAS VÍTIMAS QUE A SÊCA FAZ.

 OBS:termino com os meus olhos rasos d'água
 
Foto do site 
infoescola.com/geografia/sertao-nordestino/


Gonçalo Felipe é o poeta de Nova Russas que colabora com o blog "Suaveolens" mediante seus poemas bem atualizados e sensíveis sobre nossa civilização, nossas vidas e nossos sentimentos.







23.5.12

Entrega da Medalha Boticário Ferreira a Raymundo Netto


Convite

O Presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Acrísio Sena, convida para Sessão Solene de entrega da Medalha Boticário Ferreira a
Raymundo Netto
Requerimento de autoria do vereador Machadinho Neto, aprovado pelos demais vereadores da Câmara.
Na ocasião, será lançado o livro Os Acangapebasde autoria do homenageado,
ganhador do Edital de Literatura da Secretaria da Cultura de Fortaleza (2007) e do Prêmio Osmundo Pontes de Literatura da Academia Cearense de Letras (2011).

Contamos com a divulgação e presença dos familiares e amigos.

Data: 30 de maio de 2012 (quarta-feira), às 19h30
Local: Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza (rua Thompson Bulcão, 830, Luciano Cavalcante – Informações: 3444-8300 ).
Traje: Esporte fino

Sobre a Medalha Boticário Ferreira: A Medalha Boticário Ferreira, maior comenda da casa, foi instituída em 1981 pela Câmara Municipal de Fortaleza para premiar o mérito cívico do cidadão que, em Fortaleza, se distingue pela notoriedade do seu saber, relevantes serviços à coletividade, dedicado à causa do município e exemplos de dedicação ao serviço público da cidade. O nome da comenda homenageia Antônio Rodrigues Ferreira, o Boticário Ferreira, político que se destacou como bom administrador quando exerceu o cargo de prefeito de Fortaleza (1843-1859).



22.5.12

A Flor de Maria Jurema


Por
Bérgson Frota

Foi numa festa junina, um belíssimo São João, e lá dançava Maria Jurema, flor de mulher, pedaço de perdição, desejada pelos caboclos com  seu corpo de violão.
Surgiu um cabra forte, e também de muita sorte, que nas graças da mulata não demorou a cair. O sujeito era João Trancoso, matador de aluguel.
Mas a sorte é bicho estranho, para dizer o cordel. Fizeram par na quadrilha, e por todos que os viam, do chão até a lua no céu, surgia escondida e calada a inveja cruel.
Trancoso rodopiava, feito vento na caatinga. Maria Jurema acompanhava ligeiro pra baixo e pra cima.
A quadrilha era dançada por muitos pares de fila, mas era Trancoso e Jurema que guiavam toda a trilha.
A festa, a música e a animação fez nascer no homem bravo o amor no coração.
Maria Jurema sentia o coração conquistado,  a lhe acordar o desejo pelo homem encantado.
Abraçou João Trancoso e sem medo lhe beijou, foi tempo de se contar, parecia até então que não ia acabar, o beijou acompridado selou o amor dos dois.
No fim da festa junina, o casal não mais foi visto.
João Trancoso “roubou” Jurema, e sumiram da região.
Com o tempo ficou a lenda do casal que se formou numa festa de São João e por destino marcado nunca mais retornou.
Alguns dizem que Jurema mudou o rumo de vida que Trancoso escolheu, que fez dele homem justo com o muito carinho que deu.
Por seu lado Trancoso virou pai dedicado, de uma prole tão grande pelo Ceará espalhado, a única que ainda ficou chamava Maria Rita, e esta nunca casou, cuidou dos pais na velhice e mais bela tornou, feito feitiço da terra que dela se apaixonou.
E ainda há de se encontrar a filha da linda Jurema, tão bela como uma flor e valente feito o pai, fato que também herdou. Como a mulher nordestina, confirmando assim a sina, forte e muito mimosa, cheia de prenda e estima uma mulher corajosa.
          
                                                        
Foto :vanuzapantaleão.blogspot. com


BÉRGSON FROTA, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.             

13.5.12

HOMENAGEM ÀS MÃES POR GONÇALO FELIPE

Por
Gonçalo Felipe


DESDE A FECUNDAÇÃO

QUANDO A MÃE ABRE O SEU VENTRE,
DIZENDO: "MEU FILHO ENTRE
PRECISO DE UM EMBRIÃO".
E DURANTE A GESTAÇÃO
ELA DIZ A VIDA INTEIRA:
"NEM QUE VÁ PEDIR NA FEIRA"
MEU FILHO CRESCE NUTRIDO"
TODA MÃE SEMPRE TEM SIDO:
MÃE E MELHOR COMPANHEIRA.

É A FONTE INESGOTÁVEL
DE AMOR E DE CARINHO
ÚNICA ROSA SEM ESPINHO
DE PERFUME INIGUALÁVEL.
GUARDIÃ INSEPARÁVEL
IGUALMENTE A PADROEIRA
SEU AMOR NÃO TEM FRONTEIRA,
SEU AMOR É REDIMIDO.
TODA MÃE SEMPRE TEM SIDO:
MÃE E MELHOR COMPANHEIRA.

A SUA BONDADE É TANTA
QUE DUVIDAR NINGUÉM OUSA
HOJE EU TENHO ESPOSA
QUE ME FAZ ALMOÇO E JANTA
A SUA FALTA É TANTA
SÓ EM PENSAR VEM TONTEIRA.
VOCÊ ERA MAIS VERDADEIRA 
DO QUÊ A QUE SOU MARIDO
MÃE A SENHORA TEM SIDO
MEU PENSAR A VIDA INTEIRA.

Figura: site Diário de Pernambuco vivapernambuco.com.br

Gonçalo Felipe é o poeta de Nova Russas que colabora com o blog "Suaveolens" mediante seus poemas bem atualizados e sensíveis sobre nossa civilização, nossas vidas e nossos sentimentos.

9.5.12

MAIO NO MEU SERTÃO


Por
Dalinha Catunda
*
É mais um maio que chega
E eu longe do meu sertão,
Só pensando nas quermesses,
Novenas e procissão,
Das festas em Ipueiras,
Dos parques e brincadeiras,
Das prendas e do leilão.
*
As festas religiosas
Animavam o interior.
Os fiéis acompanhavam
A Virgem Santa no andor.
A banda era tradição,
Animando a multidão
Em seu ato de fervor.
*
Ainda tem a bandinha,
Fazendo a animação.
Ainda escuto os benditos,
Na boca da população.
Fogos faíscam no ar
Ouvindo seu ribombar
Dispara o meu coração.
*
Saudade é feito coceira,
Quando começa a coçar.
Chegando fico inquieta,
E corro pro meu lugar,
Faço as malas vou embora
Festejar Nossa Senhora
Nas quermesses me esbaldar.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda.
Igreja Matriz de Ipueiras-Ce



Maria de Lourdes Aragão Catunda, nascida em Ipueiras-Ceará, é conhecida nos meios literários como Dalinha Catunda, é poetisa, cordelista e cronista, sendo membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Também tem blog próprio - cantinhodadalinha.blogspot.com.


6.5.12

NOITE DE LOBISOMEM


Por 
Bérgson Frota

Uma cidade do interior como cenário.
A lua cheia, com fracas, mas gasosas nuvens a riscar o céu.
Em torno daquele velho e respeitado senhor em sua cadeira de balanço, várias crianças.
E a narrativa a nos causar medo.
Falava do lobisomem, e ouvindo mais procurávamos a nos aproximar um do outro.
Era em Ipueiras, no tempo de quando ainda criança.
“O homem então se impacientava, e corria para o mato perdendo-se no fechado mata-pasto, rolando-se no chão de mato já amassado, e lá no céu a lua ainda a influenciá-lo. As mandíbulas começavam a crescer parecendo as de um cão, as órbitas arredondavam-se e passavam a ter cor amarelada.
Pêlos começavam a cobrir-lhe o corpo, o rosto. As orelhas acompridavam-se e o nariz virava focinho a lembrar o de um urso. As unhas das mãos e dos pés cresciam, as presas se tornavam proeminentes. A  pele engrossava e amarronsava-se , por fim aquele ser monstruoso uivava com força para a lua.”
Nós ficávamos com os olhos vidrados no narrador, imaginando a horrorosa transformação. De forma que não sei explicar havia a necessidade do medo, do susto para nossa criação, para o nosso crescimento cognitivo. 
“Correndo pelas matas escuras, arrodeando a cidade, como se a buscar uma presa, que se aventurasse na escuridão.”
Olhávamos um para o outro como a confirmar um pacto mudo já feito de voltarmos juntos para casa.
“Assim ele atacava qualquer criatura, homem, mulher ou criança, e também animais. Sendo que se fosse gente, na próxima noite de lua cheia, também ia virar um lobisomem.
Só uma bala de prata no coração poderia abatê-lo, e libertá-lo da maldição.”
O nosso narrador dava uma pausa, olhava para a lua e dizia :
--- É, hoje é dia de lobisomem !
Ficávamos calados como hipnotizados pelo medo.
--- Vão com cuidado pra casa, até eu já vou me recolher.
Confirmávamos e começávamos a sair juntos.
Olhávamos para o céu vendo a lua cheia que parecia a nos lembrar da fera que naquela hora estava certamente cercando, e esperando na escuridão das matas próximas, o incauto que diferente de nós, não havia sido alertado que a noite era de lobisomem.


Desenho : dallianegra00.blogspot.com                                                                           
                                                                                      

BÉRGSON FROTA, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

5.5.12

VERSOS DE GONÇALO FELIPE EM 05 DE MAIO DE 2012


ESTOU AGRADECENDO A DEUS
A MINHA ABENÇOADA DITA
É POR ISSO QUE SEMPRE DIGO: 
QUEM CONFIA EM DEUS, CONQUISTA.
NÃO ESPERAVA HOJE CEDINHO
 VER O Sr. MATOS SOBRINHO, 
JUNTO COM A D' MUNDITA, 
É UMA FOTO, TUDO BEM  
PORÉM FICO IMAGINANDO: 
O CASAL ABENÇOADO 
SOBRINHOS OS ACOMPANHANDO. 
JURO PELO EVANGELHO: 
NÃO EXISTE TEMPO VELHO. 
A MENTE O VAI RENOVANDO.
DIGO SEM MEDO DE ERRAR:
QUE JEAN KLEBER E FAMÍLIA 
JUNTOS COM ALGUNS PARENTES, 
NA MENTE SE FEZ VIGÍLIA, 
E O Sr MATOS COM CERTEZA,
MESMO ESTANDO EM FORTALEZA 
SE FEZ PRESENTE EM BRASÍLIA.


Gonçalo Felipe é o poeta de Nova Russas que colabora com o blog "Suaveolens" mediante seus poemas bem atualizados e sensíveis sobre nossa civilização, nossas vidas e nossos sentimentos.





Nota do Blog: o poeta comemora a recente recuperação da saúde de sua esposa e saúda a fé em Deus: dele e dos amigos que vibraram solidariamente.

1.5.12

FORTALEZA, URBE DE GRANDE BELEZA



Por
Bérgson Frota

Na sexta-feira 13 de abril, tu acordastes linda.
Os teus encantos hoje, assim como naquele dia parecem que foram moldados há milênios a fim de receberes no futuro o nome de fortaleza a rimar tão perfeitamente com beleza, a suscitar o belo de tuas praias, o brilho e pureza de tuas areias, das tuas gigantescas dunas, do belo dos teus coqueirais a fazer de tua orla um colar verde combinando ao mar que te banha, os verdes mares da terra alencarina.
O teu clima é sempre ameno, os ventos que te sopram vagueiam corredores feitos de modernos arranha-céus a tentar detê-los, mas de tão fortes, eles os ventos, acabam por vencer e partir para esfriar o teu sertão.
Quem te abençoou terra lucífera ?
Qual deus te deu tanta riqueza ? Responde-me bela Fortaleza. Pois no teu passado fostes capital de várias nações indígenas que marcaram com nomes bairros teus e inúmeras cidades da qual tu és a capital.
O teu progresso é notório e vibrante.
Tens o maior estádio de futebol do Nordeste, e para nós que te amamos, o mais belo. O maior centro de convenções da América Latina é o teu e para finalizar os superlativos, das cinco mais belas catedrais metropolitanas desse imenso país, uma está em teu território.
No saber, olha o passado, tua venerável Academia de Letras foi a primeira do Brasil. Teus escritores enriqueceram e continuam a enriquecer a literatura da Nação.
Teu povo foi o primeiro a libertar os escravos, tens a herança da liberdade na tua história.
Parabéns bela Fortaleza, nos teus 286 anos tu enches de orgulho o cearense onde no mundo possa ele hoje e sempre estar.


Foto do site : ideiasdemulher.com.br

BÉRGSON FROTA, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

MEU RETRATO



Texto de Dalinha Catunda
Foto (de Dalinha) do acervo dela própria 
*
Quem pintou o meu retrato
Com as pálidas cores da vida
Por certo desconhecia
Minha porção atrevida.
Meu desejo de viver,
Meu eterno renascer,
Por ser mulher aguerrida.
*
Prepare tinta e pincel
Retoque sua aquarela.
Deixe o rubro do sertão
Carminar a sua tela.
Não me deixe descorada
Pois não me vejo apagada
Nem iluminada à vela.
*
Não queira me desenhar,
Sem saber minha história.
Pois sairia falso o tom
Na riscada trajetória.
Não faça de mim um borrão
Com sua coloração
Se não me tem na memória.
*
Maria de Lourdes Aragão Catunda, nascida em Ipueiras-Ceará, é conhecida nos meios literários como Dalinha Catunda, é poetisa, cordelista e cronista, sendo membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Também tem blog próprio - cantinhodadalinha.blogspot.com.