Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

Minha foto
Nome:
Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

23.6.09

TRIBUTO A CAMARAL MOREIRA

Por
Bérgson Frota

Lembrar a figura de um bom pai, um político e um grande carnavalesco que apesar de não ter nascido em Ipueiras, muito fez por seu progresso no transcorrer do século XX, bem como para a sua história, é uma obrigação a todos aqueles que têm na terra do Cristo Pantocrator suas reais raízes.
.
Camaral Rodrigues Moreira era filho de Valdevino Rodrigues Moreira e Ana Leite Moreira, nascendo em Ubajara-Ce a 11 de abril de 1900.
.
Em 1925 casou-se com Maria Moura Moreira e dessa união nasceram onze filhos :
.
Maria Bambina, Vanda, Anna (conhecida como Anete), Eudora, Ilca, Lialete, Darci Maria, José, Salete, Maria Lia e Edgar.
.
Homem de grande caráter, tinha na política e no carnaval as suas maiores paixões.
.
Na sua longa trajetória foi vereador, tabelião, delegado e diretor do Hospital Nossa Senhora da Conceição.
.
O carnaval em Ipueiras sempre se marcou com sua alegre presença, sendo um folião que se recusava para brincar a bebida a que tantos jovens na época já recorriam.
.
Sua alegria era genuína e contagiava a todos.
.
Costumava ir ao sítio Lamarão a pé, e a caminhada lhe dava ânimo e saúde. Fato talvez que muito tenha influenciado sua longevidade.
.
Como folião sua figura ficou romantizada em Ipueiras, conta-se que depois do carnaval, nas manhãs de quarta-feira de cinzas, acompanhava a banda até a Praça Getúlio Vargas, só parando ao último toque desta.
.
Faleceu no dia 26 de janeiro de 1994, aos 93 anos deixando saudades e um lugar sempre vazio nos salões mominos da cidade.
.
Como sinal de sentido luto a Rádio Vale do Jatobá silenciou duas semanas e o povo sentiu neste gesto a manifestação do profundo respeito e carinho à memória do maior dos foliões que teve a terra ipueirense.
________________________________
Foto do senhor Camaral : Acervo Grandes Personalidades Ipueirenses – de Bérgson Frota.
________________________________
Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.
NOTA DO BLOG: Camaral Rodrigues Moreira curtia o "Chitão", baile a caráter de grande expressão na cidade de Ipúeiras, semelhante aos bailes juninos atuais, com vistosas fantasias de apelo rural. Daí porque achamos oportuno publicar, justamente agora ao ensejo das festas juninas, este importante trabalho de pesquisa do escritor e memorialista Bérgson Frota.

SÃO JOÃO NA ROÇA

Por
Dalinha Catunda

As fogueira ta chegando,
Eu to me preparando,
Pro mode dançar mas tu.
*
Vai ser um desmantelo
Nós dois naquele terreiro,
Na base do anarriê.
Na base do anavantu.
*
Já comprei teu chapéu de palha,
Tua camisa estampada.
Tua calça tá remendada,
Como manda a tradição.
*
Encomendei um corte de chita,
Dois laço encarnado de fita,
Quero ser a matuta mais bonita,
Nessa festa de São João.
*
Vai ser grande a alegria,
Nós dois dançando quadria,
Junto com nossa famia,
Que num arreda pé do sertão.
__________________________________

Foto: site pb.sesc.com.br/cultura_foclore_quadrilhaOO.jpg
___________________________________

Maria de Lourdes Aragão Catunda – Poetisa, Escritora e Cordelista. Nascida e criada em Ipueiras-CE, conhecida popularmente como Dalinha Catunda, vive atualmente no Rio de Janeiro. Publica nos jornais "Diário do Nordeste" e "O Povo", nas revistas "Cidade Universidade" e "Municípios" e nos blogs: Primeira Coluna, Ipueiras e Ethos-Paidéia. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É co-gestora convidada do blog Suaveolens, além de ter blog próprio: (cantinhodadalinha.blogspot).

20.6.09

RIMAS 1

Por
Néstor Antonio Heredia Zárate


O céu tem estrelas

naturalmente belas e fulgurantes

a terra tem estrelas

normalmente déspotas e pedantes.


______________________________________
Foto: site sistemadespido.files.wordpress.com/2009/01/chuva estrelas1.jpg
______________________________________

Néstor Antonio Heredia Zárate Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidad de Guayaquil (1972), mestrado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa (1980), doutorado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa (1987) e Pós-doutorado junto à Universidade de Maringá (2009). Atualmente é professor associado 2 da Universidade Federal da Grande Dourados (Mato Grosso do Sul)

13.6.09

PARA O DIA DOS NAMORADOS

Nota do blog.
Ontem, 12 de junho de 2009, Dia dos Namorados, o dia foi agitado por aqui, em Brasília. Para o bem, felizmente. Já ao apagar das luzes do dia, meu filho mais novo, treze anos, anunciou, eufórico, ter ganho sua primeira namorada. Somente hoje, manhã de sábado, tivemos tempo de "plotar" a narrativa bem humorada e os versos da acadêmica Dalinha Catunda em homenagem à data.
________________________________
POR FALTA DE CONVICÇÃO
Por
Dalinha Catunda

Essa é mais uma de minhas proezas adolescentes.
Eu morava no interior e nesse tempo ainda não possuía um vocabulário abrangente. Mas a pouca idade e o pouco estudo permitiam-me o pouco saber.

Eu nunca me encantei com os meninos de minha idade. Achava-os bobos, inexperientes, sem papo, sem graça e coisa e tal...

Um belo dia aconteceu o inusitado, o que poderia ser meu primeiro namoro, com uma pessoa mais velha, foi deveras minha primeira decepção.

Morava em minha rua uma professora que vira-volta era visitada pelos parentes.
Certa tarde vislumbrei uma visita diferente ocupando uma cadeira na calçada da dita professora.
Era um rapaz bem parecido, bem vestido e para uma quase menina que não tinha ainda parâmetros para comparar, era um príncipe das caatingas, em figura de gente.

Pois bem, eu muito enxerida, comecei a andar pra lá e pra cá na calçada. Ainda recordo quando uma amiga gritou:__ vai afundar a calçada!

Não demorou muito o belo exemplar abordou-me. Conversa vai... Conversa vem... Ele perguntou se eu gostaria de namorá-lo.

Eu radiante e rapidamente respondi que sim. Até aí, ia tudo muito bem! Eu me sentia nas alturas.
Foi quando ele fez na seqüência mais uma indagação:
__ Você tem Convicção?
E eu assustada respondi:- Não menino tu é doido?
Agora me pergunte o que eu imaginei, naquela hora, que fosse convicção?
-Você sabe? Nem eu!
O que sei é que por falta de convicção, perdi o que seria meu primeiro namorado mais velho do que eu.
.
QUER SER MEU NAMORADO?
.
Por
Dalinha Catunda
.
Venha abraçar-me novamente,
Mande-me flores de presente,
Que lhe aguardo no portão.
Faça-me versos e seresta
Quando me vir faça festa
Que lhe dou meu coração.
.
Seja o velho namorado,
Que eu tive no passado
Segurando minha mão.
Cantarole nossa cantiga
Não importa se é antiga
Provoque em mim emoção.
.
Ciúmes não tenha tanto
Para evitar o meu pranto,
E seus pedidos de perdão.
Conserve sua gentileza,
Que prometo com certeza
Ser sua eterna paixão
.
___________________________
Maria de Lourdes Aragão Catunda – Poetisa, Escritora e Cordelista. Nascida e criada em Ipueiras-CE, conhecida popularmente como Dalinha Catunda, vive atualmente no Rio de Janeiro. Publica nos jornais "Diário do Nordeste" e "O Povo", nas revistas "Cidade Universidade" e "Municípios" e nos blogs: Primeira Coluna, Ipueiras e Ethos-Paidéia. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É co-gestora convidada do blog Suaveolens, além de ter blog próprio: (cantinhodadalinha.blogspot).

10.6.09

O PRIMEIRO MÉDICO DE IPUEIRAS

Por
Bérgson Frota

Raimundo Melquíades Costa nasceu em Ipueiras em 10 de dezembro de 1912, filho de Simão Alves Costa e de Raimunda Moreira Costa, que ainda tiveram Pedro Simão, Antônio Simão, Elias Simão, Genário Simões, Cesarina Simões e Maria Simões.

Dr. Melquíades foi o primeiro médico de Ipueiras. Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia em 19 de dezembro de 1942. Tornou-se Segundo Tenente em 1943, e atuou como médico do exército na Bahia.

Cursou em 21 de maio de 1947, no Centro de Estudos na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, o Curso de Doenças Parasitárias. Concluiu em 09 de junho de 1947 o Curso de Doenças do Rim.

Fez em 31 de julho de 1957 em Recife, o Curso da Nestlé: Atuação em Pediatria, e em 29 de junho de 1972, em Fortaleza, concluiu um Curso de Saúde Pública.

Foi sempre um estudioso que procurava na atualização de seus conhecimentos médicos o benefício para o próximo.

Laborou nas cidades de Ibiapina, Sobral e Ipueiras, atuando como Chefe em Saúde Pública.

Como auxiliar de grande valia e confiança, muito lhe serviu o Sr. Mariano Ribeiro de Oliveira.

Cidadão respeitado por toda sociedade ipueirense, pelo seu falecimento, deixou uma lacuna ainda hoje não totalmente preenchida.

Em 25 de outubro de 1987, o então prefeito Manuel Cavalcante Dias, prestou uma importante homenagem ao Dr. Melquíades, inaugurando o Centro de Saúde em Ipueiras, que recebeu seu nome.

Durante toda a sua vida Dr. Melquíades foi um homem de muito bom humor. Certa vez numa mesa, bebendo com amigos, o que fazia sempre de maneira comedida, contou a seguinte estória:

Uma paciente ao ser por ele atendida, depois de contar todo seu problema, mostrou-se apreensiva pois, como ele sabia, ela pertencia a “alta-roda” de Ipueiras.”

Ele, com ar cômico, respondeu-lhe:

- Minha filha, não se preocupe, aqui em Ipueiras, “alta-roda” eu só conheço a de trator, e isso quando mandam para as obras.

Os que ouviam a narrativa caíam em gargalhada.

Assim passavam os anos e o velho médico foi aos poucos perdendo a visão sem se deixar abater. Ao guia que o servia para os passeios invertia os papéis ao dizer que quem não enxergava era ele.

Manteve até o fim da vida a alegria que Deus lhe deu, e certamente nos últimos instantes se chorou foi de saudades.

Dr. Melquíades faleceu na manhã de 23 de fevereiro de 2004.

Finalizando esta homenagem, tomo como empréstimo o que escreveu, Hélder Catunda, um erudito ipueirense sobre sua morte numa crônica publicada no Diário do Nordeste, intitulada : O Médico dos Ipueirenses.

“Pela maneira altruística com que exercitou a medicina, foi essencialmente cristão, sem ser formalmente religioso; venerou a Deus, sem rezar nos altares, ao tratar dos desfavorecidos dispensando recompensas financeiras.”
______________________________
(Foto: Acervo Grandes Personalidades Ipueirenses – Bérgson Frota)
.
Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

4.6.09

CARTA DE SÃO LUIZ

Por
Marcondes Rosa de Sousa

Jornal da Ciência (SBPC), 26 de Julho de 2002.

Três dias, em São Luiz. Sob afagos da história, da arte e dos 'lençóis maranhenses', lá estávamos, os Conselhos Estaduais de Educação do país, a pôr em balanço o itinerário de nossa educação: o quanto andamos e o árido chão por ainda trilhar rumo ao porto da formação do cidadão, do profissional e da pessoa (art. 205 da Constituição Federal).


Inegáveis avanços, decerto: a universalização quase do ensino fundamental e a expansão da superior, nesse cômputo. No entanto, reparos a se apontar na educação básica, onde pífio cuidado com a educação infantil (incipiente com a média) reclama olhar mais atento, apoio e financiamento.

Trôpegas, as passarelas entre a escola o os mundos do trabalho e da cidadania, que solidários se exigem. E, na área superior, expansão em atropelo clama por disciplina e ajuste às necessidades sociais, à vida moderna e ao desenvolvimento regional e humano.

Nesse afã, legítima, recomenda-se a via da educação a distância: a) para a democratização do acesso aos excluídos da escola; b) para a escolarização possível aos em condições especiais de espaço e de tempo; c) como disponível forma de educação continuada.

Palavra de ordem, nessa tarefa, há de ser a 'colaboração', em sua genuína acepção de 'trabalho em conjunto' (vertical e colateral), entre os entes federativos, no largo amplexo da 'negociação' entre os plurais atores da vida social.

No encontro, dissonâncias compuseram-se em acordes, sob o tato da presidente anfitriã, Maria Lúcia Martins, grafados na 'Carta de São Luiz' (a ser entregue à Nação, governos e candidatos), a nos ter todos por 'Pero Vaz de Caminha', na transição atual do Brasil.

Esperança nossa é que a educação, mais que viagem, seja o destino dos brasileiros: cidadãos, a se incluir na vida social; profissionais, partícipes e beneficiários da construção econômica; pessoas, a integrar o projeto coletivo e transcendente do povo!
_________________________________
Foto de São Luiz: site portalaz.com.br/noticias/turismo/101216/3
_________________________________
Nota do blog: o presente texto refere-se à XVIII Reunião Plenária do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação, realizado de 17 a 19 de julho de 2002 em São Luiz-Ma, onde foi elaborada e aprovada a "Carta de São Luís" e o "Pacto dos Conselhos Estaduais de Educação para a oferta de Cursos a Distância"
_________________________________
Marcondes Rosa de Sousa, advogado, é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECe). É uma das maiores autoridades em educação do Brasil. Ex-presidente do Conselho de Educação do Ceará e do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação, é Colunista do jornal " O Povo ", onde mantém seus artigos quinzenais.

2.6.09

SAUDADES DE LILI

Por
Gonçalo Felipe

Coração em amargura
Ao lembrar tempos de outrora
E aquela doce figura
Que falta nos faz agora!
Em nossas vidas e planos
Ao completar quinze anos
Nossa Lili foi embora

Embora a partida fosse
Dentro de padrões normais
A sua ausência nos trouxe
Saudades fortes demais.
Naquele cantinho ali
Nossa querida Lili
Não dormirá nunca mais

Que hora feliz aquela!
Em que víamos a alegria
Que contagiava ela
Quando para nós corria
Bem feliz nos contemplava
De pé em nós se firmava,
De certa forma sorria

Hoje só nos resta a saudade
Do convívio que tivemos
De vê-la temos vontade
mas, isso não poderemos
É grande a saudade dela
Lili outra igual a ela
Nunca mais encontraremos

Vanessa, Ilir e Gabriela
Sentem a dor da saudade.
Ana Júlia e Daniela
Da mesma forma é verdade
Lembram todo dia dela e
As vezes pensando nela
Chegam chorar de saudade.

Sonia, Heloísa e Renata
Mauro, Sérgio e Juliano
Saudade também maltrata
Por isso que neste ano
Festiva era uma data
Não feita de forma exata
Por respeito ao um ser quase humano.

Inoneide, Ivan e Alice
Com saudade pensam nela
E em toda aquela meiguice
Que vinha da parte dela
Doutor Jean, nem se fala
A voz o sufoca e intala
Vendo onde dormia ela

Maverick tudo segue
Na ordem da Evolução
Uns morrem e outros nascem
Seguindo a Lei da Razão
Pelo acontecimento
Temos o reconhecimento
De Deus a conformação

Rio de Janeiro, 08 de Maio de 2009
_____________________________
Nota do blog: o poeta compôs estes versos vendo uma foto de meu aniversário onde amigos, desde Vanessa até Maverick, posavam em reunião uma semana após a data natalícia de fato, em adiamento motivado pelo falecimento, por idade, de um animalzinho que fazia a alegria da casa.
__________________________________
Gonçalo Felipe é o poeta de Nova Russas que nos brinda com poesias sobre nós, sobre Ipueiras, sobre nosso pé de serra, enfim sobre a vida de todos nós. Apresentado que foi pelo ipueirense Francisco Costa, integrou-se rapidamente à equipe do Suaveolens com sua capacidade de fazer amigos.