Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

17.3.09

A SAGA DOS ARIGÓS

Por
Bérgson Frota

Entre os anos de 1942 a 1945, no Ceará a seca continuava a fazer emigrantes que sem opção para sobreviver abandonavam seu torrão natal, muitos em sua maioria para sempre.

Os sertanejos cearenses sofriam a fome nutrindo a esperança de um favorável inverno, ou eram atraídos para o sonho de ‘enriquecimento” fácil na Amazônia, uma outra frente de batalha que se dava longe dos palcos sangrentos da Europa denominado de Guerra da Borracha .

Calcula-se que em todo Nordeste 55 mil pessoas foram para a Amazônia, metade vindo a falecer devido aos precários meios de transporte, falta de assistência médica, alimentação escassa e finalmente lutas na grande floresta dos seringais.

O Serviço de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA) ,fazia forte campanha publicitária. A Amazônia era o “paraíso” para o homem nordestino, seu destino e triunfo na sagrada missão nacional de engrandecimento da Pátria.

A borracha traria para os aliados a vitória frente ao nazi-facismo que ameaçava o mundo.

No SEMTA, depois de superficial exame médico, o trabalhador recebia um chapéu, alpargatas, blusa branca e calça azul, uma caneca, um talher, um prato, rede e cigarros, com salário de meio dólar por dia. Logo eram embarcados para a Amazônia.

Passaram a ser chamados de “arigós”, tal apelido vinha da pequena ave de arribação nordestina, que por característica vaga de lagoa a outra buscando alimento.

O número de cearenses que partiram é calculada em 15 mil, que junto aos outros iam em vagões de trem, carroceria de caminhões e na terceira classe de navios. Em sua maioria os arigós levavam toda a família.
Três meses de viagem, com caminhões a virar e navios naufragarem.
A rota seguia de navio em direção ao Maranhão, Belém, Manaus e Rio Branco. Desta última eram divididos para pequenas cidades, concentrando-se portanto em grande número no atual Estado do Acre.

Para os arigós logo o sonho se desmanchava e o “paraíso” esperado começou a ser chamado de “inferno verde”.

O trabalho era duro e a disciplina exigida também. Em dupla trabalhavam os seringueiros enfrentando além da chuva constante as moléstias como a malária, febre-amarela, beribéri, a completar o quadro dantesco, onças, jacaré e cobras gigantes estavam sempre a espreita dos incautos.

O trabalho arrastava-se de 4 horas da manhã às 7 da noite. Era uma escravidão não oficializada. Outro meio nefasto que contribuía ainda mais para esfacelar as esperanças dos arigós era o tão odiado “sistema de aviamento”, onde comida, roupas, ferramenta e remédios eram vendidos a preços exorbitantes sendo estas lojas de provimentos mantidas pelos próprios patrões.

Numa caderneta o empregado do patrão anotava os débitos dos funcionários, trabalhando de forma minunciosa a fazer com que o empregado solicitante nunca saldasse o devido, cobrando até cinco vezes mais o valor da mercadoria. Enquanto que o valor da produção individual dos mesmos sempre vinha em inferioridade ao débito feito.

Terminada a II Grande Guerra, os americanos já obtinham borracha do oriente e não tardou inventarem a borracha sintética.
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Os arigós foram abandonados a própria sorte e destes um número mínimo voltou para casa.
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Assim encerrou-se na época “A Batalha da Borracha”, dos quase 60 mil soldados desta “guerra” na verde Amazônia, metade, em proporção quase 30 mil pessoas deixaram seus sonhos e últimos alentos de vida nas úmidas e sempre verdes terras do Norte.
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Fotos: site colegiosaofrancisco.com.br
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Bérgson Frota, escritor, contista e cronista, é formado em Direito (UNIFOR), Filosofia-Licenciatura (UECE) e Especialista em Metodologia do Ensino Médio e Fundamental (UVA), tem colaborado com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, desenvolvendo um trabalho por ele descrito de resgate da memória cultural e produzindo artigos de relevância atual.

2 Comentários:

Blogger Jean Kleber Mattos disse...

Mais uma peça inestimável do escritor e pesquisador Bérgson Frota. Vamos aproveitar.

17.3.09  
Blogger Dalinha Catunda disse...

O Olhar profundo de pesquisador, de Bérgson Catunda, tem nos presenteado com trabalhos de grande importância em relação a história do Ceará e além dos seus limites.
Um abraço a todos,
Dalinha Catunda

20.3.09  

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