Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

20.2.09

MEMORÁVEIS CARNAVAIS

Baile infantil
Por
Dalinha Catunda
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Ipueiras nos bons tempos viveu, memoráveis carnavais. Carnavais esses, que eram prestigiados por uma sociedade festeira e bem participante.
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Figuras renomadas, como: Seu Camaral e Simão Matos, ficaram eternizados na lembrança dos ipueirenses que durante muitos anos foram testemunhas das peraltices desses dois distintos foliões, nos carnavais de salão.
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Ao primeiro: tam... tam, tam, tam, tam... tam, tam, tam....Estavam lá os dois, seu Camaral, animado feito criança, puxando seus incansáveis cordões. E, Simãozinho dançando uma dança bem singular inventada por ele mesmo. Era a dança da cobrinha. Quem não ouviu Simão falar dessa dança? Nós, meninas-moças, vestidas de havaianas com colares coloridos e roupas estampadas. Ou, fantasiadas de gregas. Vestido de laquê preto, um lado maior do que o outro, com alça apenas de um lado. Algumas se vestiam de índia , outras improvisavam fantasia e assim se apresentava a juventude sadia dos velhos tempos nos alegres bailes de carnaval na cidade de Ipueiras.
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Nas tardes que antecediam os bailes carnavalescos, os rapazes começavam a beber cedo e improvisavam um carnaval de rua. Onde Maisena, araruta, talco e água, eram jogados nas pessoas que passavam, num autêntico mela-mela com direito a ovo e tudo. Num pinico zerado, eles colocavam cerveja e lingüiças e saiam bebendo e tirando o gosto rua à cima e rua a baixo, numa animação que contagiava a população da cidade que aos poucos ia se juntando aos foliões. Nesse time, Vavá, Moraisinho, Antônio Manoel, encabeçavam o bloco.
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José Arimatéa Catunda, nosso Dedé, quebrava a rotina da Rádio Vale do Jatobá tocando marchinhas típicas de carnaval, como: Me da um dinheiro aí, Taí, Você pensa que cachaça é água, Bandeira Branca, Picolé de Cachaça e tantas outras, que agora me fogem a memória.
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A cidade inteira entrava no clima, até vesperal para a criançada existia e era animada. Os adultos levavam as crianças e já aproveitavam para esquentar os motores para noite.
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Sinto saudades dos antigos carnavais. Da animação, das marchinhas, das fantasias, dos blocos e do grande encontro social que nos oferecia o Carnaval de salão. Esse tipo de carnaval em Ipueiras, infelizmente, está morto e sepultado.
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Um hábito antigo, conserva a cidade, na quarta feira após o carnaval, grande parte da população, que é católica, continua indo a igreja para receber cinzas.
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Hoje, não só em Ipueiras, como em todo Brasil, a grande pedida, são os trios elétricos, que arrastam multidões com sua musica baiana, sufocando assim, as velhas e graciosas marchinhas e a beleza do frevo, e por que não dizer, enterrando de vez a beleza dos antigos Carnavais.

Foto 1: Baile Infantil: site rbranco.com.breventos2008005carnavalfundcapa.jpg
Foto 2: Ipueiras no site hjo.brasil.com
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Maria de Lourdes Aragão Catunda – Poetisa, Escritora e Cordelista. Nascida e criada em Ipueiras-CE, conhecida popularmente como Dalinha Catunda, vive atualmente no Rio de Janeiro. Publica nos jornais "Diário do Nordeste" e "O Povo", nas revistas "Cidade Universidade" e "Municípios" e nos blogs: Primeira Coluna, Ipueiras e Ethos-Paidéia. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É co-gestora convidada do blog Suaveolens, além de ter blog próprio: (cantinhodadalinha.blogspot).

2 Comentários:

Blogger Jean Kleber disse...

Magnifico relato do carnaval da Ipueiras dos anos 50-60, por Dalinha Catunda. Textos como esse merecem figurar nos anais históricos da cidade como peça inestimável. Parabéns!

21.2.09  
Anonymous Anônimo disse...

Dalinha seja na poesia ou na prosa sempre a nos enriquecer com trabalhos ricos e alegres. Agora nos lembra um carnaval de outros tempos, mais ingênuo mas nem por isso alegre. Parabéns pelo texto.

26.2.09  

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