Suaveolens

Este blog foi criado por um cearense apaixonado por plantas medicinais e por sua terra natal. O título Suaveolens é uma homenagem a Hyptis suaveolens uma planta medicinal e cheirosa chamada Bamburral no Ceará, e Hortelã do Mato em Brasília. Consultora Técnica: VANESSA DA SILVA MATTOS

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Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil

Cearense, nascido em Fortaleza, no Ceará. Criado em Ipueiras, no mesmo estado até os oito anos. Foi universitário de agronomia em Fortaleza e em Recife. Formou-se em Pernambuco, na Universidade Rural. Obteve o título de Mestre em Microbiologia dos Solos pelo Instituto de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco. Também obteve o Mestrado e o Doutorado em Fitopatologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é pesquisador colaborador da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília.

18.4.17

Blog do grupo ipueiras@grupos.com.br
José Mariano de Melo (Por Walmir Rosa)
23:14 @ 06/10/2006



        Seu Zé Mariano era uma figura atarrancada, sem ser baixo, pescoço grosso, olhar penetrante. Homem de poucos sorrisos.

        Era o Senhor das Oiticicas. Grande fazenda pras bandas do pé da Serra da Ibiapaba. Chefe político local, sempre elegia vereador e tinha papel preponderante na política ipueirense.

        Seu filho, Sinhozinho Mariano, foi vereador por várias legislaturas.

        Tinha como grande inimigo político seu Bilô - José de Holanda Cavalcanti, também grande proprietário local. Havia, entre eles, um ódio mortal, motivada por ter seu Zé Mariano prendido seu Bilô em uma prisão improvisada em sua fazenda.

        Ambos, muito amigos de papai. Seu Bilô possuía um posto de bicicleta (coisa antiga e boa). Todas as férias em que eu ia para Ipueiras, a me esperar lá estava uma bicicleta gentilmente cedida por ele para uso até a minha volta às aulas, em Fortaleza. Fiz grandes passeios e loucuras. Quem, como eu, não descia o alto da estação de mãos soltas, atravessava a ponte e ia, assim, até a Rua das Flores? quem não apostou corrida da cadeia até o rio?

        Mas seu Zé Mariano também era um grande "botador de apelidos".

Seu Bilô, seu inimigo era o ferrabrás;
Seu Juarez Catunda, coletor estadual, Peru (vermelhão).
Seu Camaral, pai da Darci, Gogó de Sola(por ter o couro do pescoço grosso);
Seu Tim Mourão, prefeito, Zé Bracim;
Seu Zeca Bento, por estar sempre de bem com o Poder, Pilatos;
Wencery, por ter o rosto manchado,Lavrado.

        (Há muitos outros, mas, no momento, não consigo me lembrar dos nomes. pode ser que alguém tenha mais memória que eu.)


O lauto banquete

          Ainda sobre Seu Zé Mariano lembrei-me de um acontecido, contado por meu pai.

         Anos 40. Candidatos a Governador do Estado: Faustino de Albuquerque e General Onofre. Seu Pedro Aragão, chefe do PTB local, apoiava o futuro Governador Faustino de Albuquerque.

         Em campanha, a caravana do Dr. Faustino iria passar por Ipueiras, com o candidato à frente. Seu Pedro Aragão programou um lauto banquete em sua homenagem e convidou as pessoas proeminentes da sociedade ipueirense, inclusive, claro o Coronel José Mariano de Melo.

         Sentados à mesa, em dado momento do almoço, o Seu Zé Mariano, depois de empanturrar-se de peru e outras guloseimas típicas da época, não contou pipocas: abaixou o rosto e vapt vupt, passou a toalha bordada branca da mesa na boca.

         Ante o olhar reprovador de Dona Dolores, tascou, olhando para o Governador, que a tudo assistia:

         - Desculpe, eminência. Não é falta de educação. É falta de guardanapo.

         Acabou com a dona da casa.


2 comentários | publicado por Marcondes
Comentários
(17:51 @ 09/10/2006)Jean Kleber disse:
Walmir, essa do Zé Mariano eu vou mandar para "seu" Neném Matos! Ele vai recordar, sem dúvida! Valeu.
(19:57 @ 28/10/2006)Solange disse:
Sobre seu Zé Mariano, conta-se que em viagem de trem ele andava pelo vagões apressado e alguém ao interpela-lo, diz:"Seu Zé, onde vai vai tão apressado? Ele respondia: "Vou ali no Ipu". Outra também dele - Seu Zé Mariano, que horas são: Ele sempre respondia independete de horas fossem - !dez pras dez.


2.4.17

MEMÓRIA DE UMA RECENTE EXCURSÃO À PIRENÓPOLIS

Neste trinta de março de 2017, completei 73 anos. 
Familiares perguntaram-me o que eu gostaria de ganhar como presente de aniversário. Surpreendi a todos dizendo – “gostaria de conhecer Pirenópolis”. 
Inacreditável, estou em Brasília desde abril de 1968 e nunca fui a Pirenópolis. Desejo atendido. 
Minha esposa, meus filhos, cunhado e nora propiciaram-me o presente almejado. Em comitiva, fomos a Pirenópolis, cidade goiana próximo a Brasília. 
Lá encontramos os amigos da família Nogueira. 
Aí o bicho pegou. 
Vejam as fotos.
A troupe

A chegada

A pousada

O almoço da chegada

Igreja do Rosário

Rua do lazer

Foto com um Ícone da Cidade

Segunda foto com um Ícone da Cidade

Jantar: pizza no Trapiche

Com a Moça do Trapiche

Dia seguinte: café da manhã

Fonte da Reserva do Vagafogo

Trilha na Reserva do Vagafogo

Segunda foto da trilha na Reserva do Vagafogo

Banho de cachoeira de turistas na Reserva do Vagafogo

Restaurante da Reserva do Vagafogo 

Almoço no restaurante da Reserva do Vagafogo

Área de repouso na Reserva do Vagafogo

A volta à Brasília: cortina de Eucaliptos

3.2.17

15 Frases De Stephen Hawking Que Farão Você Ver A Vida De Outra Maneira


15 Frases De Stephen Hawking Que Farão Você Ver A Vida De Outra Maneira

Por 

1 – Q.I. versus inteligência
“Pessoas que se vangloriam de seus Q.I.s são perdedoras”.
2 – Sobre barulho
“Pessoas quietas têm as mentes mais barulhentas”.
3 – Mudança
“Inteligência é a habilidade de se adaptar às mudanças”.
4 – Imperfeição
“Da próxima vez que alguém reclamar que você cometeu um erro, diga a essa pessoa que talvez isso seja uma boa coisa, porque sem imperfeição nem você nem eu existiríamos”.
5 – Sobre a esclerose
“É uma perda de tempo ficar irritado com a minha deficiência. As pessoas não vão ter tempo para você se você está sempre irritado ou reclamando”.
6 – Unanimidade
“Tenho reparado que mesmo aqueles que afirmam que tudo está predestinado e que não podemos mudar nada a respeito disso continuam olhando para os dois lados antes de atravessar a rua”.
7 – Deus e buracos negros
“Considerando o que os buracos negros sugerem, Deus não apenas joga dados, ele às vezes nos confunde jogando-os onde ninguém consegue ver”.
8 – Sobre a humanidade
“Durante milhões de anos, a humanidade viveu exatamente como os animais. Então aconteceu alguma coisa que desencadeou o poder da nossa imaginação. Nós aprendemos a falar e aprendemos a ouvir”.
9 – Suas definições de “simples” foram atualizadas
“Meu objetivo é simples. É a compreensão completa do Universo, por que ele é assim e por que existe de uma maneira geral”.
10 – Direção
“Lembre-se de olhar para o alto, para as estrelas, e não para baixo, para os seus pés”.
11 – Expectativas
“Minhas expectativas foram reduzidas a zero quando eu tinha 21. Tudo, desde então, tem sido um bônus”.
12 – Liberdade
“Apesar de eu não poder me movimentar e ter que falar através de um computador, em minha mente sou livre”.
13 – Sobre a ordem das coisas
“Toda a história da Ciência tem sido a percepção gradual de que eventos não acontecem de uma maneira arbitrária, mas que refletem uma ordem básica, que pode ou não ser divinamente inspirada”.
14 – Há esperança
“Não importa o quão ruim a vida possa ser, há sempre alguma coisa que você pode fazer e ter sucesso. Enquanto há vida, há esperança”.
15 – A humanidade e o Universo
“Nós somos apenas uma espécie avançada de macacos em um planeta pequeno de uma estrela mediana. Mas nós conseguimos entender o Universo. Isso nos torna muito especiais”.

***

Fonte da foto: blog.timesunion.com 


15.1.17

SOMBRA, FRUTA E TRAMPOLIM

Fotos do acervo do autor: acima, o "Falso Cinamomo" (Melia azedarach) e abaixo, a Acerola (Malpighia glabra). 

SOMBRA, FRUTA E TRAMPOLIM
Por
Jean Kleber Mattos

Ipueiras, Ceará, fins dos anos quarenta. A linha da minha arraia enroscou-se numa jovem carnaubeira que existia em frente à Coletoria Municipal de “seo” Juarez Catunda, na Praça da Matriz. As carnaubeiras jovens são atarracadas e agressivas, muito espinhentas. Os pecíolos das folhas são muito adensados impedindo a escalada. As carnaubeiras velhas são altas e esguias. Elegantes mesmo. E não são agressivas. Dá para escalar. Chapéus, cestas, bolsas, cobertura de casa, caibros, vigas, quase tudo pode ser feito com partes dessa planta. Sem falar na famosa cera da palha que já foi importante produto de exportação. Terra de artistas, a palhinha do Domingo de Ramos quase sempre transformava-se numa singela cruz e, às vezes, num artefato mais elaborado, nas mãos habilidosas dos fiéis. E quem não cavalgou em cavalinhos feitos com o pecíolo da folha da carnaubeira? A polpa do fruto maduro, pretinho, é uma delícia.
Ao início dos anos cinqüenta, quem andasse em Ipueiras saindo da esquina do Educandário na Praça da Avenida numa rua de chão batido, no sentido da Praça do Cristo, encontraria uma grota, seguida de uma leve subida. À direita via-se um grande pé de tamarindo. À esquerda ficavam as mutambas. Mutamba tem gosto de vinho. Minha mãe, D. Mundita, receava que eu comesse a fruta:
-Prende o intestino! Dizia ela.
Além da mutamba, o croatá e o camapú, ou “canapum”, estavam na lista das proibidas. Consumidas em segredo.
Acho o tamarindo uma das frutas mais interessantes. Há muito tempo é vendida nas farmácias. Geléia para prisão de ventre. Ótima pra crianças. Comíamos “in natura”, no pé. Maduro ou verde. Até a folha é saborosa. Azedinha. Frota Neto, em seu livro QUASE, relata que o quintal de “seo” Abdul e D. Mocinha eram cheios de tamarindos. Na Praça do Cristo havia um enorme pé de joá, ao lado de uma residência sem reboco. Tijolo nu. Frutinhas amarelas saborosas. A raspa da casca do tronco é “shampoo”. Faz espuma. Também serve como dentifrício. Outra fruta que eu gostava de provar era o trapiá. É molinho. Havia um pé em minha casa. No galinheiro. Ao entardecer, as galinhas empoleiravam-se nele. Estava sempre sujo de titica.
Cajueiros e mangueiras, só nos sítios. Visitamos um deles, um dia. O dono tinha fama de sovina, mas era um cara muito legal. Falou para minha avó:
-Fique à vontade. Encontrando um fruto ao alcance da mão, não faça cerimônia. Pode apanhar.   
Meu pai, gozador contumaz, logo segredou ao ouvido da sogra:
-Ouviu bem, né? Ao alcance da mão...não vale pular!
Divertido torrar castanhas de caju num taxo de ferro sobre uma “trempe” de tijolos. Volta e meia uma delas se inflama e “voa” em meio a um jato incandescente. E a banana couruda? Renato Braga, grande botânico cearense, menciona a resistência e a flexibilidade da casca da banana couruda e acentua: “pode ser amassada até que a polpa fique reduzida a uma pasta mole capaz de ser consumida por sucção”. Era exatamente assim que a consumíamos. Hoje nas grandes cidades, via de regra, come-se cozida ou na forma de doces. 
Laranjas, coco-babaçu, jacas e abacates vinham da serra. “Seo” José Fernandes, sitiante amigo nosso, volta e meia nos brindava com um “surrão” de laranjas. Lembram do “surrão’? O “container” caipira feito com palha de carnaúba? Pois lá estava ele, cheio de laranjas “doces como mel”.  Eu gostava do coco-babaçu. Minha tia Francisquinha, irmã de “seo” Mattos, meu pai, o trazia quando vinha da serra. Não me lembro de ter comido qualquer quitute feito com ele. Era consumo “in natura” mesmo! Gostava de cuspir o bagaço seco sobre um formigueiro para ver as formigas carregarem. O ramo serrano de nossa família notabilizou-se pelo consumismo de abacate. Delícia. Da serra também vinham as novidades: cambucá, pequenas amoras e o doce de buriti. Precisa-se falar nas rapaduras? E aquelas molinhas, de coco? Ou de mamão? A gente chamava “tijolo”. Caroço de jaca cozido era um de meus quitutes favoritos, além da polpa madura. Os cajás eram perfumados. Lembro-me que o jovem Zaca, que trabalhava lá em casa, fazia carimbos entalhando a casca solta das cajazeiras. Madeira mole.
A primeira grande árvore que eu vi em Ipueiras foi o benjamim. O nome certo é “Ficus benjamina”, minha avó me ensinou. Ficava defronte de nossa primeira residência em Ipueiras. A casa de “seo” Hermógenes. Casa grande. Meu pai alugou. Foi a primeira sede do Educandário. Localizava-se em frente à casa de “seo” Pedro Aragão, quase na Praça da Matriz. Éramos vizinhos de “seo” Camaral, pai da Darci e da Lielete. Eu gostava de mascar as folhas do benjamim. Os meninos maiores haviam aprendido a produzir um assobio forte apertando as folhas contra os lábios e soprando.Uma dessas folhas entre dois pedaços de casca de árvore, como num sanduíche, virava um instrumento musical de sopro. Som de cigarra. Na casa de Pedro Aragão, o benjamim era cerca viva. Eu ficava admirado com a tosa. Homens com tesouras enormes, mantendo a forma da cerca. Se bem me lembro, um deles era “seo” Gustavo, pai do Zacarias, um amigo meu de infância.  
À semelhança do benjamim, algumas árvores nada produziam que se pudesse comer. Eram apenas urbanísticas. Uma delas me encantou desde o primeiro encontro. Foi o cinamomo, Melia azedarach. Havia um pé no Grupo Escolar onde minha mãe dava aulas. Pequenas flores brancas com o centro roxo. Cheirosas. Descobri bem mais tarde que a planta é tóxica. O fruto amarelo fica meio enrugado quando amadurece. É menor que uma azeitona. Depois conheci a munguba. A inflorescência imatura parece um charuto. No formato e na cor. Simulávamos que a estávamos fumando. Quando a flor se abre é só beleza. Centenas de longos estames dão ao conjunto o aspecto de um belo e colorido espanador. As sementes de munguba são comestíveis, mas não tínhamos tradição de consumo.
Lembro dos jardins. Havia dois que eram externos e bem visíveis e dos quais me lembro de modo especial. O de Dolores Aragão, esposa do Pedro e mãe do Carlos e o jardim de D. Adaísa, esposa do Wencery e mãe do Marcondes, da Solange e do Walmir. O primeiro, protegido por uma cerca viva de benjamim, impactava pela beleza das rosas que o dominavam quase exclusivamente. O segundo, mais intimista, contrastava com o tom azul da casa. Era mais variado e mais denso. Além das rosas lembro-me dos aspargos decorativos, adorno quase obrigatório nos altares das cerimônias escolares de coroação da virgem. 
E as oiticicas? Ao descrever um banho no rio Jatobá, falei que o mesmo transcorria à sombra de grandes arvores. Ao comentar o texto, o cronista Walmir Rosa lembrou que as oiticicas da beira do rio eram trampolins naturais para a meninada de Ipueiras. Beleza! O valor da oiticica, no passado, advinha das sementes, ricas em óleo próprio para tintas e vernizes. Meu pai contava a história de um moço que trabalhava no armazém de meu tio-avô, Sebastião Matos. O rapaz queixava-se de prisão de ventre. O médico local, com certeza doutor Melquíades, descobriu que, pela manhã, para não comer o pão “sem nada” ele às vezes besuntava um pouco de óleo de oiticica. Dizia que “dava gosto”. Comercialmente, o produto é conhecido como “óleo secativo”. O resultado não podia ser outro...
Nossas plantas também ofertavam matéria prima para enfeites e brinquedos. Terços, carrapetas, colares e brincos. Que menina não usou um colar de sementes de “Cássia”? Ou um adereço de “Conta-de-lágrima”? Quem lembra de umas bolinhas negras chamadas “sabonete”? Ótimas para fazer colar e também malabarismo, equilibrando-as no ar com o sopro. E as sementes e frutos anemófilos? Estes são levadas pelo vento. Têm a paina que lhes dá leveza ou o “design” que lhes permite planar. Frutos de pajeú descem da árvore planando. Era uma festa brincar com eles. Para nós, em nossa fantasia, eram brinquedos preciosos: paraquedas e helicópteros!

Visitando a cidade de Ipueiras recentemente, já idoso, constatei que dentre as árvores de minha infância, praticamente não se encontram mais Ficus benjamina nem Melia azedarach. O cenário atualizou-se. Nos quintais destaca-se a fruta Acerola (Malpighia glabra) e nas praças e avenidas, a planta urbanística Nim (Azadirachta indica). Do passado porém, permanece nos quintais a deliciosa Ciriguela (Spondias purpurea)

********

6.1.17

PROVA NA AGRONOMIA. ALUNOS CONFIANTES







21.12.16

O NASCIMENTO DE JESUS


O NASCIMENTO DE JESUS
Por

Dalinha Catunda
1
A narrativa que faço
Não é minha invenção
Pra contar já me benzi
E fiz minha oração
Peço a Deus discernimento
Pra falar do nascimento
De quem trouxe a salvação
2
Nas linhas de cada verso
Cumprirei o meu papel
Seguindo sempre a risca
O tema desse cordel
A vinda do Deus menino
Sua saga seu destino
Prometendo ser fiel.
3
Tudo isso começou
Com José e com Maria
Que ficaram radiantes
E replenos de alegria
Quando Miguel o arcanjo
Com sua boca de anjo
A boa nova dizia.
4
Assim deu ele a notícia
Com jeito e com muito tino
Que do ventre de Maria
Nasceria um menino
Maria daria a luz
Ao filho de Deus, Jesus,
O sagrado ser divino.
5
Com o casal satisfeito
Não havia desengano
Mas veio de Cesar Augusto
O Imperador Romano
Uma nova lei criada
E a família sagrada
Tinha que mudar de plano.
6
A sua terra natal
Todos tinham que voltar
Porque Cesar resolveu
A população contar
O motivo foi exposto
Foi por causa do imposto
Que ele decidiu cobrar.
7
A família de José
Voltava para Belém
A fim de cumprir a lei
E se registrar também
Com dor a pobre Maria
No caminho padecia
Mesmo assim dizia amém.
8
Foi uma viagem longa,
Deixou Maria cansada
E se aproximava a hora
Por todos tão esperada
Sem achar hospedaria
José fez o que podia
De maneira improvisada.
9
Ele avistou um estábulo
Onde montou seu abrigo
O ambiente era limpo
Lá não corriam perigo
Com palha forrou o chão
Improvisando um colchão
Fugindo do desabrigo.
10
Por sobre a palha, José,
Uma manta estendeu
Ali deitou o casal
Que descanso mereceu
Para geral alegria
O menino de Maria
A meia noite nasceu.
11
E foi numa manjedoura
Que a criança ficou
Forrada com palha limpa
Que o bom José arrumou
Num pano foi enrolado
Nas palhinhas colocado
Pela mãe que lhe embalou.
12
Nasceu o filho de Deus
E de Jesus foi chamado
Como advertiu o anjo
Quando deu o seu recado
Foi despido de riqueza
No meio da singeleza
Que Jesus foi adorado
13
Nas colinas de Belém
Os pastores agrupados
Vigiavam seus rebanhos
E ficaram assustados
Quando lá no céu brilhou
Uma luz que os espantou
Deixando-lhes ofuscados.
14
Era um anjo que surgia
E acalmou cada pastor
Eu trago boa notícia
Escutem-me, por favor,
Nesta noite em Belém
Nasceu para nosso bem
Jesus nosso Salvador.
15
E logo no céu surgiu
Encantando os pastores
Mais anjos que lindamente
Cantarolavam louvores
Em homenagem a Jesus
Que chegou trazendo luz
E prenúncio de amores.
16
E Glória a Deus nas alturas
Se ouviu com suavidade
E paz na terra aos homens
Que tinham boa vontade
Os anjos assim cantavam
Pastores se encantavam
Diante da novidade.
17
A luz foi diminuindo
Todos logo perceberam
Os anjos também sumiram
E os pastores se acenderam
E cheios de esperança
Foram atrás da criança
A pista eles não perderam.
18
Quando viram o estábulo
Entraram devagarinho
Na manjedoura o menino
Ao lado dele um burrinho
Tinha uma vaca também
Como de fato convém
Jesus não estava sozinho.
19
Pelos homens da colina
Jesus Rei foi adorado
Ele era o salvador
Pelo anjo anunciado
Os pastores finalmente
Contaram pra toda gente
Que Jesus tinha chegado.
20
Três homens sábios moravam
Num país muito distante
E do céu e das estrelas
Faziam estudo constante
Uma estrela reluzente
Aparece de repente
Com um brilho intrigante.
21
Diziam os três Reis Magos
Que o sinal emitido
Era algo especial
Que havia acontecido
E foram seguindo a luz
Para visitar Jesus
O rei que tinha nascido.
22
Os três Reis Magos levaram
Presentes para ofertar
A grande estrela guiava
Melchior e Baltazar,
E Gaspar ia também
Pra cidade de Belém
O novo rei adorar.
23
Quando o rei Herodes soube
Que nasceu o rei menino
Ficou bastante zangado
Cometendo desatino
Aos Magos pediu favor
Caso vissem o Salvador
Lhe revelasse o destino.
24
Os Reis Magos prosseguiram
Cada um com seu presente
Era Ouro, incenso e mirra
Para o pequeno inocente
Que logo foi adorado
E também presenteado
Pelos reis do oriente
25
Os Reis seguiram viagem
Logo após a adoração
Pararam para dormir
Num sonho a revelação
Um anjo veio avisar:
Herodes quer é matar
Jesus, rei da salvação.
26
Os três Reis Magos pegaram
Na volta um novo curso
Pra não cruzar com Herodes
Fazendo o mesmo percurso
Acharam os três por bem
Desviar Jerusalém
Só tinham esse recurso.
27
José também teve um sonho
Sonho pior não teria
Um anjo lhe avisou
Para fugir com Maria
Deixar depressa o abrigo
Jesus corria perigo
Se foram na correria.
28
Partiram para o Egito
Como o anjo aconselhou
A fuga foi cansativa
Mas a família chegou
Sã e salva a seu destino
Salvaram Jesus menino
Do rei que louco ficou.
29
Quando Herodes descobriu
Que tinha sido enganado
Ficou com ódio dos Magos
E completamente irado
Com medo do novo rei
Não respeitou sua grei
Estava desatinado.
30
Para não perder o trono
Diante dos desenganos
Ordenou os seus soldados
Que executassem seus planos
E começou a matança
Que era assassinar criança
E com menos de dois anos.
31
Quem não amava Herodes
Passou mesmo a odiar.
E no Egito a família
Sagrada pode escapar
Munidos de muita fé
Voltaram pra Nazaré
Para viver em seu lar.
32
Foi um anjo que avisou
Que José já poderia
Voltar para Nazaré
Pois perigo não corria
Herodes tinha morrido
Ele voltou comovido
Com Jesus e com Maria.
Fim
*
Cordel de Dalinha Catunda

Maria de Lourdes Aragão Catunda – Poetisa, Escritora e Cordelista. Nascida e criada em Ipueiras-CE, conhecida popularmente como Dalinha Catunda, vive atualmente no Rio de Janeiro. Publica nos jornais "Diário do Nordeste" e "O Povo", nas revistas "Cidade Universidade" e "Municípios" e nos blogs: Primeira Coluna, Ipueiras e Ethos-Paidéia. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É co-gestora convidada do blog Suaveolens, além de ter blog próprio: (cantinhodadalinha.blogspot).

18.12.16

PÁGINA SOBRE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE de Dr. Guido Nunes Lopes

Foto: Céu de Brasília à noite. Acervo de Jean Kleber Mattos


DIFERENÇA LÓGICA ENTRE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE


Prof. Dr. Guido Nunes Lopes
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam
que alguém lhes diga o quefazer
e querem ser guiados.
A espiritualidade é para
os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida
a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro"..

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo,
te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana,
é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos
de um livro sagrado.
A espiritualidade busca
o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta
na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência..

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus,
não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver
a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus
em Nosso Interior durante a vida.



O texto Espiritualidade x Religião é do Prof. Dr. Guido Nunes Lopes, Graduado em Licenciatura e Bacharelado em Física pela Universidade Federal do Amazonas (FUAM, 1986), Mestrado em Física Básica pelo Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IF São Carlos, 1988) e Doutorado em Ciências em Energia Nuclear na Agricultura pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA, 2001).